terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

Ignorabimus

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Nauta no mar do ser inexplorado
Por mistérios e enigmas cercado
A que posso apegar-me seriamente
E o afã aliviar da mente

Lançado no bojo da existência
de que busco com certa persistência
Decifrar, obtendo algum conforto
Quiçá em busca de um ameno porto

Morrerei eu na praia extenuado
Sem encontrar aquilo que procuro
O sentido que tenho vislumbrado?

Devora-me o enigma obscuro
Sobre a cruz do Ser solto meu brado
Sempre tateando no escuro!

Santíssima




Quando Deus quis vir a este mundo
Para ganhar dos homens o amor
Sem hesitação, medo ou temor
Ousando esvaziar ser Ser profundo

Aspirando atingir do ser o fundo
Sentir em si a dor do desamor
Por maior que fosse o destemor
Habitar não quis num ventre imundo

Assim desde toda eternidade
Uma escolheu dentre as mulheres
E com cuidado e esmero preparou

Tal a Virgem, templo que a Trindade
Reservou para seu altos misteres
E com sua sombra dignificou!



As flores




Como raios de luz no azul celeste
pairando sobre o manto de verdura
Quais preciosos mimos de ternura
Esparzidos sobre o mundo agreste

São as flores, que temos a ventura
de contemplar Jesus, pois no-la deste
Esta prova de amor que nos fizeste
Para ameninar a dor da desventura

É a flor, meu irmão, com seu perfume
Vestígio que restou do paraíso
Neste val de lágrimas e horrores

Meu querido irmão, a flor resume
Do Deus de amor franco sorriso
Destinado a confortar os pecadores!

A rosa




Quando o Ente Supremo, no princípio
Concebeu este mundo buliçoso
Antevendo do abismo o precipício
Que engoliria o homem tão vaidoso

Consigo pensou no malefício
Que tal ser faria triste e desditoso

E tendo a bondade por sublime ofício
Consolo aprouve dar-lhe precioso

E tanto pesou o bondadoso Nume
Que concebeu uma flor maravilhosa
Qual viva luz a brilhar neste negrume

Cheia de cor, de maciez e de perfume
O Eterno Deus criou a rosa
Que qual sorriso seu a perfeição resume

Acalanto






Sublime e etérea Alma do universo
Consciência Suprema universal
Presente em cada ser mortal
Rogo que inspires o meu verso

Da vida os que vão pelo reverso
Atravessando das dores o portal
Da vida verdadeira anteportal
Lançados num sistema que é perverso


Compadece-te meiga e generosa
Dissipando receios e pavores
Comuns a existência tormentosa

Dissolve Senhor os vãos temores
E faz abrir ao menos um botão de rosa
No ermo jardim dos pecadores!

Alter Christus







Não perdas teu tempo, a mão estende
Ao irmão que a dor da fome abate
E a porta de teu lar faminto bate
Ao pobre com carinho e amor atende

Não lhe perguntes: Que pretende?
Mas da angústia o fardo esbate
Não perdas teu tempo com debate
Quem a sede atormenta não entende!

Prodigaliza afetos, atenções, cuidados
Aos marginalizados, sofredores
Que de léu em léu penando vão

Cada um dos favores dispensados
Ao mais humilde de meus seguidores
Tu não os dispensaras em vão!

Contemplação




Jesus ao te ver assim, crucificado 
Ao te encontrar oh amor, supliciado
Encho-me de tristeza e desolação
Sinto na boca pulsar o coração

Molestado Senhor Jesus me sinto
Inquieto, Senhor porque pressinto
Um drama fatal que me comove
Trama de dor que a ti me move

E por contemplar tua excelsa figura
Que a humana maldade sem pejo tortura
Aspiro abraçar com ardor a virtude

E por corrigir do vive a atitude
Envolve meu ser uma imensa quietude
Presença do Mestre que instila doçura!