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terça-feira, 4 de outubro de 2011
Súplica
Sobre a cruz de minha sepultura
deposita um cardo
Flor de tristeza e amargura;
pois soube carregar meu fardo
Este pobre cardo enfeita
minha campa fria
minha alma agora esta refeita
da vida sem alegria
Esta refeita minha alma
minha culpa é expiada
posso receber a palma
retomar minha jornada
Neste mundo de pesares
jamais encontrei a luz
ascendo outros lares
sigo na paz de Jesus.
Alma triste
Trago luto perpétuo em minh'alma
Trago luto no meu coração
Não conheço um instante de calma
Um momento sem afetação
Minha alma em sudário envolvida
pelas nuvens escuras e negras
não achou alegria na vida
só um amplo cenário de trevas.
negra noite instalada na alma
negra sina meu porto, meu norte
não conheço um instante de calma
já me sinto nas vascas da morte
São as dores de amores funestas
São funestas as dores de amores
te prometem as galas da festa
te acometem de vivos temores
Oxala, da paixão meu amigo
duro travo não venhas provar
duro travo que trago comigo
não te possa a alegria turbar
Mas se amas, suplica ao Eterno
a ventura de seres amado
ou na vida terás teu inferno
inda que tu não tenhas pecado
Eu porém já marcado da sorte
trago luto no peito guardado
e provando dos gozos da morte
sempre amei e jamais fui amado
É por isso que negro sudário
minh'alma sem pena velou
e amargando sinistro fadário
pelo curso da vida me vou!!!...
Trago luto perpétuo em minh'alma
mar de pranto no meu coração
eu não tenho um instante de calma
só angústias e decepção...
D P B+
segunda-feira, 3 de outubro de 2011
Minha cruz
Ajuda-me a carregar a cruz
Jesus, varão de dores cheio
Acolhe-me a teu formoso seio
repleto de graça, paz e luz.
Por tua paz Senhor anseio
em ti a confiança toda pus
Socorre-me doce e bom Jesus
Em ti Salvador espero e creio
Senhor minha cruz é tão pesada
O cálice cheio de amargores
A noite farta de terrores
Estreito o curso da jornada.
A carne já dilacerada
O rubro sangue porejando
Suor que a pele vai queimando
A alma sinto tão cansada...
Meus pés acúleos vão ferindo
pedras recobrem meu caminho
mendigo de amor e de carinho
abandonado e só vou prosseguindo
Socorre-me Jesus bondoso
Senhor Jesus dos rejeitados
Senhor Jesus dos arrasados
Jesus Cristo misericordioso
Conduz-me por tua boa mão
Da morte pela senda escura
Conduz Senhor a quem procura
a terra santa da promissão.
Tudo aqui é dor e ilusão!!!..
falsa vida, exílio, triste sorte
sem direção, sem guia ou norte
envolve-me a fria cerração...
A ti tenho por único amigo
por herança nesta triste hora
por partilha nesta vida a fora
em teu coração esta o meu abrigo!
A revolta Jesus eu espezinho
a cruz quero levar até o fim
põe tuas vistas sobre mim,
não posso caminhar sozinho!
Faz com que sorva minha taça
cheia de angústias e de penas
permite Senhor Jesus apenas
que tua vontade assim se faça!
Expio da juventude meus pecados
segundo a lei do Evangelho
sendo novo já me sinto velho
tendo meus sonhos fanados...
Assim Senhor do céu, Jesus bondoso
saiba eu cumprir a minha pena
alma resoluta, calma e serena
em demanda de um porvir maravilhoso!
domingo, 19 de setembro de 2010
Outra rogativa

Jesus eu vivo sem vida
triste, sozinho, abandonado
Neste viver assim largado
minha esperança é reduzida
Será por culpa merecida
que sou pela vida castigado?
Ou sem motivo fustigado
sorte do destino, imerecida?
Amigo Jesus tem piedade
faz reviver as esperanças
deste amor tão acidentado
Retira de mim a ansiedade
Renova Senhor as minhas crenças
Vê Senhor Jesus o meu estado...
Vê Senhor Jesus o meu estado...
terça-feira, 14 de setembro de 2010

Agradeço Jesus o lenitivo
com que confortas sem cessar minh'alma
agradeço Jesus a paz e a calma
com que neste lance aflitivo
Este insucesso relativo
que me furtando a cobiçada palma
para me servir de empalma
enche de sentimento negativo
Mais esta provação eu agradeço
Jesus, Salvador das almas puras
Sei que faço jus a ela e a mereço
Eu te louvo por minhas desventuras
que da maldade imensa são o preço
pago por multidões de criaturas...
Epifânio de Queiroz
domingo, 12 de setembro de 2010
Lamentos...

Neste mundo de tristezas
sem atrativos, belezas
todo cheio de amarguras
se nos apertam os laços
se nos desviam os passos
multiplicando as torturas
Desvanecem esperanças
obscurecem-se as crenças
mais santas e luminosas
Só resta encarar a cruz
O madeiro em que Jesus
horas tristes, tormentosas
Por nós esteve a sofrer
a chorar e padecer
pelas dores esmagado!
A Jesus pois imitemos
seu exemplo assimilemos
de amor inigualado!
Co'a graça do Santo lenho
paz no coração já tenho
neste degredo nefando
Só por Jesus eu suspiro
Só por seu Reino eu aspiro:
Jesus, Jesus até quando?

Senhor Jesus eu sofro tanto
preso a esta cruz, cruel fadário...
desfiando de penas um rosário
com suspiros, lágrimas e pranto!
Bom Jesus, Jesus que sois tão Santo
do teu celeste e divino santuário
tu que tanto sofreste no calvário
percebe minha aflição e desencanto...
E se não te apraz levar-me deste mundo
mundo perverso, ingrato e traiçoeiro
ergástulo escuro, estreito e imundo
Trás de volta meu amor primeiro
meu amor tão puro e tão profundo
tão belo, esperançoso e altaneiro...
Stavros Nika
Lenho tingido pelo sangue puro
e escarlate do cordeiro inocente
até meu pétreo coração se sente
maculado, sujo e impuro
Ao avistar em leito assim tão duro
Que para nos despertar consente
Sofrer tão ultrajante apuro!
O espírito, a alma se comove
E a amar-te igual me movea purpúrea tinta do madeiro
Se não fostes meu amor primeiro
Sendo livre me faço prisioneiroteu e nada, nada me demove!
domingo, 5 de setembro de 2010
Imortalidade...

Também eu acreditei que esta vida
tudo é
Perdendo a crença recebida
a antiga fé...
Também eu como tu
por certo dei...
que esta vida é tudo
e me alegrei...
Também eu cri compreender
a vida
Mas tive benefício de conceder
a dúvida...
Como tu acreditei ter achado
boas explicações.
Então me vi pasmado
entre divagações...
Como tu porfiei decifrar
a existência
Dos enigmas todos extrair
a quintessencia...
Pretendi com a inteligência devassar
ares e abismos
tudo reduzir e expressar
por silogismos...
Levei a cabo meus juvenis
enleios
Um sequer, não satisfiz:
destes anseios...
Cheguei mesmo a acreditar que a morte
tudo destrói
que o verme segundo a humana sorte
tudo corrói...
Que a lousa era o final de tudo
quanto fazemos
Os ossos, testemunho mundo
do que perdemos
A fria campa, termo final
da existência
Trágico epílogo mortal
desta ciência!
A fria campa, termo final
da existência
Trágico epílogo mortal
desta ciência!
O espirito fruto de neuronais
conexões
A alma produto de anormais
concepções...
A imortalidade humana, palavra
sem sentido!
A metafísica rematada lavra
de um ressentido...
A imortalidade humana, palavra
sem sentido!
A metafísica rematada lavra
de um ressentido...
Tudo para mim se resumia na matéria
fria
Cada dor, cada pulsação, artéria
a alegria...
E assim prosseguia em meu anelo
captar
Sentido, sem mundo paralelo...
demonstrar
Da religiosidade a insana loucura
e com prazer
a superstição ignara, obscura
desfazer!
E assim prosseguia em meu anelo
captar
Sentido, sem mundo paralelo...
demonstrar
Da religiosidade a insana loucura
e com prazer
a superstição ignara, obscura
desfazer!
Como vós eu não acreditava
noutro viver
mas apenas naquilo que aceitava
podendo ver.
Dia veio porém em que acordei
deste sono letal
abri meus olhos e por certo dei
com o engano fatal
A teoria segundo a qual esta vida
tudo é.
Minh'alma abraçou comovida
a antiga fé...
Fé no destino imortal, superior
da alma humana
que da racionalidade interior
emana
Hoje sei que algo sobrevive ao 'fim'
lá nos espaços
E por isso hei de exclamar enfim:
quebrei meus laços...
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sábado, 4 de setembro de 2010
Prece de Cáritas

Deus Nosso Pai, poder e bondade
que tudo preenche, tudo invade
Ampara aos que trilham a senda
da provação, para que a fé ascenda...
Põe no coração do homem, luz e calor
Enche-o de caridade, amor
Concedei uma estrela como guia, ao peregrino
ao enfermo repouso, coragem ao menino.
Aos desencantados da vida algum conforto
que lhes sirva de bonançoso porto
Ao criminoso arrependimento e contrição
Ao espírito a verdade da revelação
Vossa bondade alcançe toda criatura
Esmagada pelo peso da tristeza e da amargura
Piedade Senhor dos que vos desconhecem
E vos desconhecendo tanto mais padecem
Esperança condecei aos sofredores
Purificação e penitência aos pecadores...
Que os espiritos de luz que nos rodeiam
e as trevas eliminam e clareiam
Possam derramar sobre este nosso mundo
operosa fé, amor puro e profundo...
Um raio de vosso amor inflame, o raio desta terra
cada alma que chora, cada ser que erra...
Guiando-os a fonte fecunda, da vossa redenção
em cujas águas vivas todos saciar-se-ão!!!...
Um só coração, uma unidade, de pensamento;
subirá a vós Senhor Jesus, ao firmamento
Hino de júbilo, um brado, de otimismo
sem vestígio de rancor, de ódio ou de egoismo
Sobre a montanha vos esperamos, qual Moisés
pois sabemos quem o sois e por quem És...
Oh bondade, oh beleza, oh perfeição
Deus de misericórdia e compaixão!
Possamos merecer a vossa abençoada graça,
vossa santa vontade assim se faça.
Ajuda-nos Senhor a avançar seguindo em frente
Para que a sedução do mal vitorioso enfrente
Tendo a razão por guia e a fé por escudo
O mal vencerei, triunfarei de tudo.
Assim em meu interior plasmarei, a vossa imagem
Completando enfim esta romagem...
Completando enfim esta romagem...
Invocando sempre, sereno, o nome de Jesus...
Verbo imortal que nos conduz...
Prece por meus amigos

Amigos eu vos agradeço
Cada prova de solidariedade
Cada gesto de co fraternidade
Sabendo: não mereço
Amigos queridos eu vos peço
santa paciência e caridade
dádivas do bem e da verdade
acima de todo valor, de qualquer preço.
Amigos eu vos recomendo
a luz da Superna divindade
Suplicando paz e proteção
Ao Pai do céu vos encomendo
para que a fé e a serenidade
vos aqueçam a alma e o coração!
sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Báratro de terrores cheio
Menor de todas as esferas
Retorno sem fazer rodeio
Resgatando culpas doutras eras
Desfazem-se todas as quimeras
enquanto vou seguindo alheio
quase morto, sufocado, em meio
a visão de alheias primaveras
Alma fadada a expiar teus crimes
Por que fugindo a lei te eximes
Ante o calvário aberto do infinito?
Eleva aos céus teu coração aflito
Expande na voz de Deus teu grito
Enquanto no mundo te redimes...
Menor de todas as esferas
Retorno sem fazer rodeio
Resgatando culpas doutras eras
Desfazem-se todas as quimeras
enquanto vou seguindo alheio
quase morto, sufocado, em meio
a visão de alheias primaveras
Alma fadada a expiar teus crimes
Por que fugindo a lei te eximes
Ante o calvário aberto do infinito?
Eleva aos céus teu coração aflito
Expande na voz de Deus teu grito
Enquanto no mundo te redimes...
Prece fraterna

Deus de amor, de luz e de bondade
Pai de todo ser e toda criatura
Propício a todo que procura,
Um sonho de paz e amenidade
Pai e educador da humanidade
Que jungida pelo peso da amargura
e estiolada por laços de apertura
Demanda e suplica piedade...
Ouve os brados do filho que chora
esmagado peça dor cruciante
e que estendendo suas mãos, implora
Escuta-nos agora e mais adiante
A cada momento, tempo e hora,
Escuta-nos sempre e a cada instante.
Pai de todo ser e toda criatura
Propício a todo que procura,
Um sonho de paz e amenidade
Pai e educador da humanidade
Que jungida pelo peso da amargura
e estiolada por laços de apertura
Demanda e suplica piedade...
Ouve os brados do filho que chora
esmagado peça dor cruciante
e que estendendo suas mãos, implora
Escuta-nos agora e mais adiante
A cada momento, tempo e hora,
Escuta-nos sempre e a cada instante.
A voz...

Voz que sempre me acompanhas
E não sei donde vem
se das entranhas,
da terra ou dos ares de além...
Voz que procede dos mares
Voz que não sei donde vem
Voz que dissipa os pesares
E que sempre me fez tanto bem...
Voz tutelar que eu escuto
Sem conhecer a razão
Voz do numinoso, oculto
A qual eu presto atenção.
Voz que sempre sugestiva
Diz o que devo fazer
Voz que sempre positiva
ouço com o maior prazer
Voz que sempre me guiaste
em perfeita segurança
Voz que comigo falaste
sendo ainda eu criança...
Voz que sempre orientaste
cada apelo ou decisão
Voz que sempre foi ouvida
No fundo do coração!
Voz que sempre orientaste
cada apelo ou decisão
Voz que sempre foi ouvida
No fundo do coração!
Voz que ouço mas não sei
a origem, o segredo
Voz eu te tomo por lei
E já não tenho mais medo...
Voz que desde o berço
instado tem comigo
Em tom de humano apreço
qual fosse um bom amigo
Voz que não sei explicar
a direção de onde vem...
Voz que parece ecoar
lá dos páramos de além...
Voz que sempre me fizeste bem!
Pater!

Pai, eu elevo a minha consciência
devota, humilde e suplicante
Estende a mão a cada instante
Concedendo-me força e resistência.
Enche-me de sabedoria e de ciência
de esperança e amor vivificante
Para que possa ser constante
Exercitando a santa paciência...
Eleva-me por sobre as trevas deste mundo
Qual sol sobrepairando no abismo
gigante, colossal, profundo
Sustenta-me os pés durante o cismo
causado pelo espírito imundo
E salva-me deste cataclismo!
quarta-feira, 25 de agosto de 2010
Senhor de todos os Caminhos

Senhor de todos os Caminhos
Peregrino de todas as jornadas
E meio a penosas caminhadas
Jamais estaremos sozinhos
Guia das sendas palmilhadas
Sedento de afetos e carinhos
Motejos suportastes, escarninhos
As dores de todas as estradas...
Espero sempre estar contigo
Por sentir-me tosco e pequenino
Imagem rude do Adão antigo...
Carrega-me como a um menino
Transpor-me faz o divino postigo
E salva-me deste mundo fescenino!
segunda-feira, 30 de março de 2009
Não

Há dois mil anos venho percorrendo
Percorrendo este caminho em vão
Um pedaço de pão duro te peço;
E tu me dizes: Não
Há dois mil anos venho te pedindo
Um copo d'agua dá por compaixão
Tua caridade vou assim medindo
Mas continuas a dizer-me: não
Cobre-me; de frio estou morrendo
Há dois mil anos, que situação!
Junto a tua porta eis-me gemendo
Tu me escutas e repetes: não!
Há séculos, vinte, preso ao leito
de dores, amargo a solidão
Minha condição parece não ter jeito
Tua visita eu não recebo não.
Há muito tempo estou pagando
meus crimes em cruel prisão
Por tua presença eis-me clamando
E ouvindo sempre o mesmo não.
Um dia serás tu o faminto
Faminto de luz e de perdão
Por isso juro que não minto:
ouviras de mim o mesmo não
Um dia serás tu o sedento
Das vivas águas da minha redenção
Neste dia clamaras ao vento
Da minha boca saíra um não
Um dia frio, tu sentiras na alma
Implorando calor, compreensão
Então te responderei com calma:
Ontem tu me disseste não!
Oxala não fiques tu enfermo
E me peças um chá, uma poção
Tua voz ecoara ao ermo
Porque um dia me disseste não
Se cometeres algum crime
E cumprires fatal expiação
Assim tua culpa se redime:
Que ouças como ouvi um não
Peregrino sou entre os mortais
Credor de piedade e atenção
Jamais despreze teus iguais
Que neles tenho habitação...
Assim se tu não me recebes
Na pessoa do outro, teu irmão
Na eternidade de mim, ouvir tu deves:
Sonoro e clamoroso não!!!
Epifânio de Queirós
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