quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Senhor de todos os Caminhos






Senhor de todos os Caminhos


Peregrino de todas as jornadas


E meio a penosas caminhadas


Jamais estaremos sozinhos




Guia das sendas palmilhadas


Sedento de afetos e carinhos


Motejos suportastes, escarninhos

As dores de todas as estradas...




Espero sempre estar contigo


Por sentir-me tosco e pequenino


Imagem rude do Adão antigo...




Carrega-me como a um menino


Transpor-me faz o divino postigo


E salva-me deste mundo fescenino!

segunda-feira, 27 de abril de 2009

Lei de Deus











Se tu choras alguém a quem amavas


Por alguém cuja morte arrebatou


Ergue teu pensamento além da terra


E verás que esse alguém não se findou!






A vida que se move em nosso corpo,


em tempo algum, jamais se desvanece


ou finda, mas apenas se transporta


Unida a alma, após a carne morta...






Nesta meditação, por elevada altura


compreenderás a lei que rege o mundo,


concebido por um Ser que nos renova


E nos faz triunfar da sepultura.






Hoje és matéria corrompida;


Amanhã, luz no espaço doutra vida...






Não chores pisando sobre escolhos...


Como de Paulo abram-se teus olhos!



Rosalina Rosa Leite

domingo, 26 de abril de 2009

A Consciência...





Quando envolto, e a família, em peles de alimárias,



Lívido, escabelado, e como as procelárias,



Caim pos-se a fugir da face de Jeová,



Como caisse a tarde e fosse escuro já,



Chegou d,alta montanha ao pé, nuns descampados.



Fatigada a mulher e os filhos já cansados:


"Deite-mo-nos no chaã, Caim: vamos dormir."



Disseram-lhe e ele estava insone a refletir.



Erguendo a fronte, viu, oh, noite, onde te entrevas



Enormemente aberto, um olho em meio as trevas,



Que o fitava severa e fixamente... horror!



"Muito perto inda estou!" Disse ele com terror,



Despertou a mulher e os filhos, do cansaço,



E deitou a fugir, sinistro, pelo espaço.



Andou de dia um mês, um mês de noite andou,



Silente a estremecer ao ruido que soou,



Sem olhar para trás, furtivo, o suor em bagas,



Sem repouso, sem sono; e assim chegou as plagas



Do mar, nesse país, que foi Assur depois.



"Paremos" murmurou "seguro é o asilo", e pois,



Fiquemos nós aqui, que ó limite do mundo."



E, indo se assentar, no morno céu profundo



Viu fitar-lhe inda o olho, o mesmo austero olhar.



Então estremeceu com friorento esgar.



"Ocultem-me" bradou. E, sobre a boca o dedo,



Viram todos o avô, feroz, tremer de mêdo.



Caim disse a Jabel, pai daqueles que vão



Sob as tendas de pele a árida extensão:

"Estende sobre mim um pavilhão de tenda."



- Muralha flutuante - e cada qual a estenda.



Quando pesos de chumbo iam-na ao chão prender,



"Inda o ves?" diz Tsila, a luz feita mulher,



O sangue de seu sangue e doce como a aurora.



E o avô respondeu: "O olho me devora!"



Jubal, pai dos que vão, dos burgos em redor,



Marchando aos sons da trompa e rufos de tambor,



Clamou: "Eu é que sei erguer uma berreira!"



Muro de bronze ergueu; Caim poz-se a traseira.



Porém vociferou: continua a me olhar...



Enoc redarguiu: eu vou torres armar...



- Trincheira que ninguém possa acercar-se dela;



Cidade edificar e em meio a cidadela;



Cidade edificar, que guardaremos nós!



Veio Tubalcaim, ferreiro entre os avós,



Cidade edificou, enorme e sobrehumana,



Enquanto trabalhava, em baixo, em terra plana,



Caçavam seus irmãos filhos de Set e Enós



Cravado tinha o olhar quem lhes passasse a voz,



E, quando era o sol posto, iam flechar estrelas.



Veio a pedra antepor-se as primitivas telas,



A cada bloco, em nó, prenderá férreo anel;



A cidade era assim possessão de Lusbel.



Das torres vinha a noite, a errar pelas campanhas



Aos muros se lhes deu grossura de montanhas.



A porta estava escrito: Não pode Deus entrar!



Quando eles acabado tinham de murar,



Foi posto a avô no centro, em torre de grânito,



E desvairado estava, o lúgubre, o precito.



"O olho já não ves?" Tsila indaga: "Já?"



E Caim respondeu: "Eis que não sai de lá!"



"Desejo" disse então "habitar dentre a terra.



Como em ermo sepulcro um cadaver se encerra



Ninguém mais me verá e ninguém hei de ver."



Cavou-se imensa cova, conforme seu querer.



Assim baixou sozinho á abobadada alfombra,



E, quando no espaldar se achou sentado à sombra



E fechou-se após sí dura lápide enfim...



Na tumba estava o olho, posto sobre Caim!




Victor Hugo.


Trad. Generino dos Santos.






Eis aquele que é capaz de trazer paz a toda consciência:









Aviso: ampliação do contéudo deste blog

Queridos amigos.

Quando este blog foi criado tinhamos em vista divulgar apenas e tão somente a poesia Cristã.

Associando assim o bem e o verdadeiro a beleza da forma.

Entretanto uma alma repleta de nobreza e luz sugeriu-nos ampliar a o espaço do belo neste blog, acrescentando a iconografia e a música.

Tal será, doravante o escopo deste blog.

Associar imagens auditivas e visuais, que sob a forma de música e poesia, quer sob a forma de pinturas, esculturas, ourivesaria, etc

Sempre que tais imagens expressem algo de bom, de puro, de nobre ou de elevado, mesmo que não seja especificamente Cristão.

Afinal tudo o que é naturalmente belo e bom é de alguma forma Cristão.

Do ponto de vista musical ou plástico nossa orientação será a mesma: Clássica ou formal.

Todas as obras e peças artísticas presentes neste blog serão notadamente fiéis ao ideal grego da kalokagatia ou da Arete.

Convidamos pois a todos os Cristãos que apreciam e amam o belo para que leiam os poemas, contemplem as imagens e ouçam as músicas aqui publicadas alimentando suas almas com um alimento vigoroso e salutar.

Prestigiem pois esta obra que se propõe a oferecer outras opções em face ao gospel, ao funck, a arte moderna...

Que a Santa Mãe de Nosso Senhor Jesus Cristo, a Imaculada e sempre Virgem Maria nos ampare continuamente.

Forte abraço a todos.

segunda-feira, 30 de março de 2009

Não











Há dois mil anos venho percorrendo

Percorrendo este caminho em vão

Um pedaço de pão duro te peço;

E tu me dizes: Não


Há dois mil anos venho te pedindo

Um copo d'agua dá por compaixão

Tua caridade vou assim medindo

Mas continuas a dizer-me: não


Cobre-me; de frio estou morrendo

Há dois mil anos, que situação!

Junto a tua porta eis-me gemendo

Tu me escutas e repetes: não!


Há séculos, vinte, preso ao leito

de dores, amargo a solidão

Minha condição parece não ter jeito

Tua visita eu não recebo não.


Há muito tempo estou pagando

meus crimes em cruel prisão

Por tua presença eis-me clamando

E ouvindo sempre o mesmo não.


Um dia serás tu o faminto

Faminto de luz e de perdão

Por isso juro que não minto:

ouviras de mim o mesmo não


Um dia serás tu o sedento

Das vivas águas da minha redenção

Neste dia clamaras ao vento

Da minha boca saíra um não


Um dia frio, tu sentiras na alma

Implorando calor, compreensão

Então te responderei com calma:

Ontem tu me disseste não!


Oxala não fiques tu enfermo

E me peças um chá, uma poção

Tua voz ecoara ao ermo

Porque um dia me disseste não


Se cometeres algum crime

E cumprires fatal expiação

Assim tua culpa se redime:

Que ouças como ouvi um não


Peregrino sou entre os mortais

Credor de piedade e atenção

Jamais despreze teus iguais

Que neles tenho habitação...


Assim se tu não me recebes

Na pessoa do outro, teu irmão

Na eternidade de mim, ouvir tu deves:

Sonoro e clamoroso não!!!





Epifânio de Queirós

O salário de Jesus





Jesus, doce Jesus, que os pecadores
Buscar vieste, com teus trabalhos
Meu é cada um destes vergões e talhos
Minha cada uma destas dores

Por nós que somos infratores
Conheceste todos os atalhos
Das humanas gentes, rebotalhos
Farrapos humanos, sofredores

Jesus, doce Jesus, assim morreste
O sangue que contemplo derramado
sobre a rude cruz, foste tu que verteste

Enfim meu Senhor o que hás lucrado?
Que da pobre humanidade recebeste?
Senão fel com vinagre misturado???



Epifânio de Queirós

Esmiuçada, profana lira...








Esmiuçada, profana lira
Jesus desejo, cantar somente
Qual convertido, qual penitente
Que por Jesus vibra e delira

Profana lira, fragmentada
Gentis donzelas não cantarei
Himeneus não mais festejarei
Canto apenas a cruz ensanguentada

Esmiuçada, lira profana
Trovas consagro ao Bom Jesus
Ao reino da paz, do amor, da luz
Ao destino final da alma humana.



Epifânio de Queirós