sábado, 17 de fevereiro de 2018

A lei natural


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Não cumpro a lei externa e positiva
Imposta por douta e jurídica ciência
Se oposta a lei moral da consciência

Da razão a sentença impositiva!

Não osculo a mão da prepotência
Arbitrária, caprichosa, forte e altiva
Mesmo que não haja outra alternativa
Não suplico humana complacência.


Caso o direito se curve a injustiça
Caso o poder se venda e degenere
Caso o legislador ceda a cobiça


Ainda que a malignidade impere
Me prontifico a morrer com a justiça
Pois a justiça o coração não fere!

sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018

Os dois caminhos

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A frente dois caminhos, duas vias
Uma estreita, triste e tormentosa
Outra larga, plana, fácil, deleitosa
Tal o roteiro de meus dias...


Senhor Bom Jesus das almadias
Que trilhastes a via dolorosa
Guia-me pela senda tortuosa
Das almas fortes e bravias...


Leva-me pelo caminho da virtude
Pela seara do bem, da caridade
Cujo fim é convívio teu


Sofrer e expiar é a certitude
De cumprir celestial vontade
Aqui carregando o fardo meu

Otimismo

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Quando o sol mergulha no abismo
Das estrelas apaga-se o fulgor
A doçura em travo de amargor
Do dia e da luz, um cataclismo


Não me curvo face ao pessimismo
E em meio a tão inóspito fragor
Excelsa prece me enche de vigor
De encanto, de paz e otimismo


Tendo a fé por luz em meu caminho
Por chama a esperança bonançosa
O amor por guia do celeste ninho


Não temo da treva a noite rigorosa
Sabendo que jamais estou sozinho
Não mão de Cristo mansa e vigorosa!

quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018

O retorno

Quando folheio da natureza o livro
Pelo dedo de Deus aqui escrito
Sentindo-me melancólico, proscrito
Da razão tudo passando, pelo crivo

De tais conjecturas não me livro
Tento fugir, divagar, mas adstrito
A tema tão profundo quanto estrito
Nas nuvens os olhos meus eu cravo

E lendo o livro etéreo dos faróis
Que cintilam sobre o firmamento
Bendigo a sorte desta penitência

Outros tantos mundos, tantos sóis
Após o tédio do confinamento
Em meio a dor, a treva a pestilência









Eterna lei

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Toda vez que vejo alguém
Sofrendo sem ter razão
Pousando as vistas além
Pergunto a meu coração
Se a culpa é de ninguém
Por que tal desolação?
E concluo seriamente
Pela reencarnação! 



Por penas que não sabemos
Pagaremos nós então?
Por culpas que nós não vemos
Merecemos correção?
Inda por mais que penemos
Sem dar com motivação
Deduzo serenamente
Pela reencarnação


Afinal por que nascemos
Neste vale de aflição?
Por que nós aqui não temos
Segura consolação?
Por que tanto nos sofremos?
Tal a nossa condição!
Por isso me vem a mente
Lei da reencarnação.


Se noutro mundo de aquém
Nascesses. Situação
Desta que nos advém
Pesarosa amolação
Já não faria desdém
Pela tua objeção
Mas pondero gravemente
Pela reencarnação


Com as lagrimas amassas
Noite e dia amargo pão
Com pedrinhas, não com passas
Eis tua alimentação
Assim tu te descompassas
Segues buscando em vão
Por argumento melhor
Que a reencarnação!


Aceita pois o teu fardo
E não reclames mais não
Retirar da carne o dardo
Não esta em tua mão
Fustigado pelo cardo
Resistas a tentação
De fugir a lei maior
Que é a reencarnação!


E se ja te fatigaram
As minhas rimas em ão
Argumentos te abalaram
Chamando tua atenção
Evidências suscitaram
A tua reflexão
Já não duvides meu filho
Quanto a reencarnação



Domingos Pardal Braz

terça-feira, 9 de janeiro de 2018

A mariposa

A mariposa vai voando, voando
Até que enfim
Na luz da lamparina cai sonhando
tal o seu fim...

Voando, voando a pobre mariposa
Segue o destino
As chamas do lampião ela desposa
Em desatino

As asas que tive eu na juventude
No turbilhão da vida queimei, e a virtude,
desvaneceu

Agora cheio de angústias, inquietude
Inexoráveis frutos da decrepitude
pereço eu!

Lamparina...

Qual falena a vida me lancei
como na lamparina
Ávido sobre ela debrucei
a alma peregrina

Deste jogo falaz eu me cansei
aquela purpurina
Aquele falso brilho agora sei
é coisa pequenina

Cheio e mágoas o pobre coração
da paz, o bálsamo, tem procurado
Enquanto chora

Suspirando pela luz da redenção
Deste degredo tenho suportado
Tanta demora!