segunda-feira, 8 de agosto de 2016
A fonte de Jacó
Na velha Samaria era Sicar situada;
Ora, em Sicar, Jacó, filho de Isaac, um dia
Velho já, tarda a mão, à sua gente amada
Uma fonte rasgou d água límpida e fria
O Mestre, certa vez, a essa borda abençoada
(No tempo de Jesus a fonte inda existia)
Á hora sexta quedou-se, a fronte angustiada
De dor, a ver passar gentes de Samaria.
Uma samaritana, acaso, a fonte veio;
E ao passar por Jesus, com seu cântaro cheio
O alto busto ondulou numa graça lasciva...
-- Água! Pediu Jesus, mata-me a sede, a mágoa
Do cântaro, que tens, da-me um pouco d água
Que, em troca, te darei a fonte de água viva!
Francisca Júlia
segunda-feira, 29 de junho de 2015
A pomba se vai voando
ditosa pelos espaços
Horizontes novos contemplando
com seus olhos baços
E obstáculos mil ultrapassando:
Quebra seus laços!!!
Alma venturosa que firmando
tímidos passos
méritos vai conquistando
do Pai nos braços
pode repetir orando:
Senhor quebrei meus laços!!!
Irmão que a vida norteando
em erros crassos
Do bem vai se afastando
por embaraços
gotas de luz vai destilando
Quebra teus laços!!!
O Ozimandias de Shelley
Em minhas viagens pela terra
Irmão que pelas sendas erra
peregrino semelhante achei
Disse-me o irmão aflito
Sem pernas, um torso de granito
Em meio as areias avistei
Um rosto partido e desolado
Em meio as pedras sepultado
ali eu encontrei!
Seus lábios escarnecedores e franzidos
seus olhares luxuriosos e lascivos
Com talento o artista fixou
Traços de paixões bem estampadas
em pétreas feições gravadas
nosso escultor deixou
Destra que impérios governava
Corações que outros comandava
Ozimandias sou!
Rei dos reis no pedestal marcado
Seu comando jaz silenciado:
Poderosos, face a mim desesperai!
Hoje tudo ali é decadência
ruínas, desertos, impotência
Viajantes, peregrinos contemplai!
Daquela glória nada, nada resta
o pó envolve-lhe o torso, a nuca, a testa
a caravana prosseguindo vai!!!
P B Shelley versão de Epifânio de Queiros (Domingos Pardal Braz)
segunda-feira, 18 de maio de 2015
Pelos espaços
Quando a alma apartado-se do corpo
Quebra seus laços
Vai seguindo em demanda doutro porto
Lá nos espaços!!!
Leva as obras que fez entesouradas
No coração
E obtém no céu belas moradas.
A redenção!!!
Fazendo o bem a todos
Sem distinção
Sem considerar insultos e ápodos
grande lição
Segue o virtuoso o nobre
Fazendo o bem
Amparando a viúva, órfão e o pobre
Chega ao lar de além
Não exerce vingança contra aqueles
Que o perseguem
Pois sabe muito bem que eles
Assim prosseguem
Na senda do vício, do crime, da maldade
da perdição
Seara farta de vil iniquidade
exibição
De instintos baixos e carnais
Acumulados
De pecados graves e capitais
Acentuados
Ele porém com a cabeça erguida
Serenamente
Exerce o bem em sua lida!
Feliz contente
Consciência tem limpa e ilibada
por herança
A alma pura e preservada
de uma criança
É um dos pequeninos honrados
por Jesus
Um dos eleitos nimbados
por sua luz
Assim pode aguardar a morte
Sem temor
Pois sua orientação, seu Norte
Foi o amor
Assim ele não desespera
nada teme
No evangelho vivo espera
ele não treme
Pode encarar da morte gélido
Olhar
Encarar seu pálido
fitar
E mesmo assim seguir em frente
sempre avante
Sempre prosseguindo e persistente
Seguindo adiante
Em demanda de amor, de paz e graça
noutras moradas
Sendas trilha sem vergonha ou jaça
palmilhadas
Asilo do mortal que após a vida
breve
Jesus a dormir convida
Um sono leve!!!
Saindo assim do corpo a nobre alma
pelos espaços
Pode exclamar, erguendo a palma:
Quebrei meus laços!
Prosseguindo em demanda doutras paragens
Siderais
Encetando outras mais peregrinagens
Imortais!!!
De nobre linhagem farisaica
Discípulo do rabi Gamaliel
Cuidava ganhar a luz do céu
Perseguindo gente tão prosaica
Concentrando o amargor do fel
por ínvios desertos vai seguindo
Em perversos planos insistindo
De prender e atar cada infiel
A luz do céu naquele instante
Torna cego, frágil e exitante
O destemido escriba e carrasco
Contemplaí a cena fascinante
Do soldado Saulo cambiante
A beira do caminho de Damasco.
Sentindo a dor excruciante
No íntimo d'alma afixada
Ao pé do abismo hiante
Parei. A fronte rebaixada
Ouvia a voz tonitroante
Da consciência amargurada
A mente vagava bem distante
Por uma senda reprovada
Jesus tornou-se meu amigo
Amor eu vi brilhar na cruz
Pela malignidade senti asco
Ideal distinto já persigo
Pleno de paz, justiça e luz
Neste caminho de Damasco...
Assinar:
Postagens (Atom)





