sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018

Otimismo

Resultado de imagem para nas mãos de Cristo


Quando o sol mergulha no abismo
Das estrelas apaga-se o fulgor
A doçura em travo de amargor
Do dia e da luz, um cataclismo


Não me curvo face ao pessimismo
E em meio a tão inóspito fragor
Excelsa prece me enche de vigor
De encanto, de paz e otimismo


Tendo a fé por luz em meu caminho
Por chama a esperança bonançosa
O amor por guia do celeste ninho


Não temo da treva a noite rigorosa
Sabendo que jamais estou sozinho
Não mão de Cristo mansa e vigorosa!

quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018

O retorno

Quando folheio da natureza o livro
Pelo dedo de Deus aqui escrito
Sentindo-me melancólico, proscrito
Da razão tudo passando, pelo crivo

De tais conjecturas não me livro
Tento fugir, divagar, mas adstrito
A tema tão profundo quanto estrito
Nas nuvens os olhos meus eu cravo

E lendo o livro etéreo dos faróis
Que cintilam sobre o firmamento
Bendigo a sorte desta penitência

Outros tantos mundos, tantos sóis
Após o tédio do confinamento
Em meio a dor, a treva a pestilência









Eterna lei

 Resultado de imagem para sofrimento humano



Toda vez que vejo alguém
Sofrendo sem ter razão
Pousando as vistas além
Pergunto a meu coração
Se a culpa é de ninguém
Por que tal desolação?
E concluo seriamente
Pela reencarnação! 



Por penas que não sabemos
Pagaremos nós então?
Por culpas que nós não vemos
Merecemos correção?
Inda por mais que penemos
Sem dar com motivação
Deduzo serenamente
Pela reencarnação


Afinal por que nascemos
Neste vale de aflição?
Por que nós aqui não temos
Segura consolação?
Por que tanto nos sofremos?
Tal a nossa condição!
Por isso me vem a mente
Lei da reencarnação.


Se noutro mundo de aquém
Nascesses. Situação
Desta que nos advém
Pesarosa amolação
Já não faria desdém
Pela tua objeção
Mas pondero gravemente
Pela reencarnação


Com as lagrimas amassas
Noite e dia amargo pão
Com pedrinhas, não com passas
Eis tua alimentação
Assim tu te descompassas
Segues buscando em vão
Por argumento melhor
Que a reencarnação!


Aceita pois o teu fardo
E não reclames mais não
Retirar da carne o dardo
Não esta em tua mão
Fustigado pelo cardo
Resistas a tentação
De fugir a lei maior
Que é a reencarnação!


E se ja te fatigaram
As minhas rimas em ão
Argumentos te abalaram
Chamando tua atenção
Evidências suscitaram
A tua reflexão
Já não duvides meu filho
Quanto a reencarnação



Domingos Pardal Braz

terça-feira, 9 de janeiro de 2018

A mariposa

A mariposa vai voando, voando
Até que enfim
Na luz da lamparina cai sonhando
tal o seu fim...

Voando, voando a pobre mariposa
Segue o destino
As chamas do lampião ela desposa
Em desatino

As asas que tive eu na juventude
No turbilhão da vida queimei, e a virtude,
desvaneceu

Agora cheio de angústias, inquietude
Inexoráveis frutos da decrepitude
pereço eu!

Lamparina...

Qual falena a vida me lancei
como na lamparina
Ávido sobre ela debrucei
a alma peregrina

Deste jogo falaz eu me cansei
aquela purpurina
Aquele falso brilho agora sei
é coisa pequenina

Cheio e mágoas o pobre coração
da paz, o bálsamo, tem procurado
Enquanto chora

Suspirando pela luz da redenção
Deste degredo tenho suportado
Tanta demora!

Iluminação

Cuidava eu que a terra em que vivia
Qual jardim de delícias encantado
Da vileza e do mal já expurgado
E esta visão me comovia

Mais que isto, nada nada via
Nem o povo tratado como gado
Nem de amor o estatuto revogado
O irmão que dormia na enxovia

Té que o mistério da dor devastadora
Da mente carnal abriu-me os olhos
Na íngreme estrada de Damasco

A Luz desta fé encantadora
Que do coração toca os refolhos
Por sofrer eu já não sinto asco!

Meu credo

Eu aprendi a crer, oh aprendi
A crer na efemeridade da existência
E nos braços da paternal clemência
Qual meigo e terno filho me prendi

Sim, eu me arrependi, me arrependi
Após louca e obstinada resistência
epifenômeno de minha prepotência
E por fim, exausto, compreendi

Aprendi a crer no bem que existe
No íntimo de cada ser humano
E esta é minha crença e firme fé

Aprendi que o vero amor resiste
A cada ato vil, egoísta e desumano
Permanecendo incólume, de pé!